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o amor precisa de nós

A poucos dias de fazer trinta e um consigo ter mais clareza de espírito para interiorizar as grandes lições que a vida me tem mostrado:


  • ninguém faz nada por ti
  • o que tem de ser acontece mesmo
  • quando achas que vai correr mal, corre mesmo
  • são poucas as pessoas que deves manter por perto
  • tens cada vez mais confiança no teu corpo
  • começas a perceber o que realmente queres da vida, mas ainda tens de trabalhar a concretização



açores 2018


Mas quero continuar a acreditar que o amor supera tudo, as noites mal dormidas, os dias de stress, as opiniões contrárias, a falta de confiança, o medo de errar. Todos podemos e devemos errar, só assim crescemos e aceitamos o que temos de menos bom e o que podemos ter de melhor. Que o amor está lá sempre, nunca falha. Mas é preciso cuidar dele, seja em casal, numa amizade ou na família. 
O amor precisa de nós tanto como nós precisamos dele.
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Quero ficar sozinha este natal

Estou cansada de pessoas. De palavras e más atitudes. Estou cansada de pessoas que nem se apercebem das más atitudes que têm. Cansada de tentar agradar a tudo e todos e ninguém se esforçar para me agradar a mim. É sempre nesta altura do ano, com o aproximar de um recomeço que me viro um bocadinho mais para dentro de mim própria e começo a pensar em tudo o que deixem em stand-by cá dentro. Todos deixamos demasiadas coisas sem stand-by dentro de nós, muitas delas por tempo indeterminado, palavras que tentamos esquecer, situações que evitamos, atitudes que engolimos para não ficarmos mal vistos. Mas este ano, particularmente este ano, não sei se por ser mãe e dar outra importância às coisas e às relações, existem coisas demais que não posso calar. Não me apetece ser mais uma pessoa que come e cala. Quero e gostaria de entrar no novo ano mais leve, mais eu, mais transparente com o que gosto e o que não gosto. E possivelmente mais sozinha. Porque o grande motivo destas palavras que nunca são ditas é o medo de acabarmos sozinhos, de os outros levarem a mal o que queremos expressar. Mas não nos magoaram a nós primeiro? Devemos dar sempre a outra face? ou simplesmente responder com a outra mão e ficamos quites? 
Estou cansada de familiares que nos põem entre a espada e a parede, que nos tiram o chão durante dias por falta de apoio e nem se apercebem disso. De críticas vindas de pessoas que me viram crescer, que me dizem que o meu filho chora e a culpa é do colo que lhe dou. Que, se ele está num pico de ansiedade de separação, a culpa é minha, por ter estado os últimos seis meses e meio vinte e quatro horas por dia com ele. Devia tê-lo deixado chorar, isso sim. Para ser pior mãe e ele não gostar tanto de mim. 
Estou cansada de palavras vazias, de palavras sem honra nem valor. De  amigos que faltam a ocasiões especiais em cima da hora, que tanto trabalho nos deram a preparar, para lhes proporcionar momentos felizes e inesquecíveis, de ninguém me bater à porta quando digo que me sinto tão tão cansada, de amigos que pensava eu serem tão importantes e há meses não saber nada deles. Estou cansada de fins-de-semana a tentar criar boas recordações e, no final, apenas eu, o meu marido e o meu filho, não termos uma única fotografia juntos. 
É um mito dizerem que quando somos pais nos afastamos. Não somos nós que nos afastamos, são os outros que se afastam de nós. Sim, talvez não tenhamos tanta disponibilidade, mas e o esforço do outro lado? Lembro-me de há uns tempos atrás ter ido ter com uma amiga, no meio de um dia de trabalho, para lhe dar um saco de gomas porque no dia antes tinha perdido o seu querido animal de estimação. Será que o gesto foi maior para mim do que para ela? Será que depois de tantas noites sem dormir nunca pensei que ela me viesse bater à porta "com um saco de gomas"? Será que sou apenas eu que sou má pessoa porque dei e agora quero receber? Afinal o que são gestos de amizade? O que são estes pequenos pormenores na vida das pessoas? Perdemos estes valores? Ficaram pelo caminho?Ou então estou simplesmente cansada, apenas. E tudo tem outra dimensão e outro peso. Mas a verdade é que me apetece pegar no telefone e dizer a cada uma destas pessoas o quanto me magoam ou magoaram. Apetece-me deixar tudo dito em 2017. Não levar nada por dizer para 2018. 
E o que me apetece, verdadeiramente, é estar sozinha este natal. Só não o faço porque, mais uma vez não quero privar as pessoas próximas do meu filho do seu primeiro natal e, mais uma vez, vou dar sem receber.






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o meu novo caminho

Ter coragem no coração e fé na vida. Acreditar num bem maior, que estamos aqui para servir, para fazer o bem, para dar amor. Seja de que forma for. O mundo precisa tanto de amor. O mundo precisa tanto de fé. Precisamos todos de ouvir mais o coração. E nas últimas semanas o meu tem passado por uma montanha russa de emoções. Ora bate de entusiasmo, ora fica apertado pelo receio. O receio de não o ter percebido bem quando falou comigo. Ou quando me permiti a ouvi-lo, finalmente. Desde os meus vinte anos que ando perdida. Não sei para que me servia o curso que tirei, o que fazer com ele, como conseguir ser feliz através dele. Essa felicidade nunca chegou. Acabou por abrir as portas à frustração, à desilusão, à incapacidade de me sentir útil para as pessoas e para o mundo. 
Mas nos últimos meses tenho notado uma mudança, que começou por ser quase imperceptível toda a minha vida, mas que sempre esteve lá. Pode ser sido exacerbada pela chegado do meu filho. Ou podia simplesmente estar à espera que me permitisse dar-lhe atenção. E acabei por dar. E é por aqui que vou seguir, Como em tudo na minha vida até hoje, vou seguir o meu coração. Mesmo que implique ficar mais horas longe do meu filho ainda tão pequeno, que me vá custar algum tempo com o J., sinto, neste preciso momento, que é por este caminho que tenho de ir. Se pode correr mal? Pode. Mas e se correr bem? E se for este, finalmente o meu destino? E se for aqui que vou ser feliz? 
A decisão está quase quase tomada. Faltam alinhavar alguns pontos para agarrar nesta força que me caracteriza e partir. Sei que não vou chegar ao destino igual. E é com esse foco que vou começar a caminhar.

Islândia 2016

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dois meses de ti ♥

♥ já ouvi uma gargalhada tua enquanto sonhavas

♥sorris imenso e intencionalmente

♥começas a querer falar

♥ gostas de silêncio para dormir

♥ continuas a não gostar do escuro

♥ fizeste o teu primeiro cocó até ao pescoço

♥ toda a gente diz que vais ficar com os olhos azuis




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trazer o amor ao mundo ♥

Enquanto me deslizavam pelo corredor em direcção ao bloco de partos e sentia o nosso filho a querer conhecer o mundo, senti sobre mim a enorme responsabilidade do que estava prestes a acontecer. Seria eu, e apenas eu, com quem tu e o nosso filho poderiam contar para que tudo corresse bem. A nossa vida estava dependente do que o meu corpo poderia ou não conseguir fazer nos próximos minutos. Comecei a tremer na maca fria, descontroladamente. Procurei-te mas sabia à partida que te estavam a preparar. Encontrei o olhar de uma enfermeira que me disse que estava tudo bem, era uma reacção perfeitamente normal. Ainda antes de ti entrou o meu médico, com o seu jeito descontraído, seguro, mãos grandes e postura protectora. Olhou-me nos olhos e disse Vamos fazer isto os dois, em equipa? Respirei fundo e tremi um sim com a cabeça. Enquanto ele se preparava fechei os olhos e senti a energia a mudar, para melhor, para algo mágico prestes a acontecer. Não ouvia ninguém para além dele, não sentia nada para além das contrações que aproximavam o nosso amor pequenino deste mundo. Caí num silêncio selectivo e quando já estava perfeitamente alinhada com a força do meu corpo é que me apercebi que estavas já ao meu lado. Quase não te reconheci com a touca, a máscara e a concentração que exigia o momento mais importante das nossas vidas. Deste me a mão, olhaste-me dentro dos olhos e disseste tu consegues, respira fundo. Durante aqueles minutos sentia-me a pairar entre a tua voz, a voz do meu médico e o que o meu corpo me dizia a alto e bom som. Concentrei toda a força do mundo para fora de mim, para te dar uma extensão de ti. Calmamente, sem pressa, sem medo, sem receio. O nosso filho chegou a nós num ambiente relaxado, carregado de magia e ternura, depois de 24 horas de trabalho de parto que começou quando ele quis chegar. E chegou. Mais cedo que o esperado mas com todo o amor do mundo. Foi, provavelmente, o momento mais bonito da minha vida, de uma leveza que nunca esperei. Foi provavelmente o momento em que mais te amei na minha vida, também. Porque sem ti não tinha conseguido ouvir a voz do amor.




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procura-me com os olhos

Não foi fácil fazê-lo sem ti. Mais difícil ainda é admiti-lo. E não falo de fazê-lo sem ti fisicamente, mas emocionalmente quase nunca cá estiveste. Desde o início que percebi que não iria ser a fase mais bonita da minha vida. Uma complicação arterial obrigou-me a vir cedo para casa e ao mesmo tempo começaste uma nova posição profissional que te ocupa todo o tempo disponível. O resultado ao início foi desastroso. Eu queria atenção, tu querias atenção. Eu não queria ouvir os teus problemas e tu não davas importância aos meus. Houve momentos em que perguntámos em silêncio o porquê de ter sido naquela altura, se íamos ter capacidade para ultrapassar isso. Eu guardava tudo cá dentro, tu deitavas tudo para fora. Não havia o brilho, as fotografias, as escolhas, as conversas duravam pouco tempo, o pouco tempo que havia para nós. Houve muito silêncio dentro destas quatro paredes, muita solidão, muitos pensamentos estranhos, muitas incertezas. Muitas noites e compras decisivas sem ti. Depois parámos e decidimos que tínhamos de fazer alguma coisa acerca disso. Eu deixei de ser egoísta em relação ao que se estava a passar, tu deixaste de ser negativo em relação aos teus dias. E agora estamos num bom equilíbrio que, muito em breve, vai mudar para sempre. Quero dizer-te que talvez seja eu a próxima a ausentar-me. Que posso estar aqui física, mas não emocionalmente. Que quero que tentes contrariar isso, que quero ter olhos também para ti. Peço-te já desculpa por estar demasiado envolvida com quem vai chegar à nossa família muito em breve, dizem ser normal, que depois passa. Mas eu sei o quanto precisas de mim, o quanto preciso de ti e o quanto precisamos dos dois. O quanto precisamos de olhar apenas um para o outro. Porque só funcionamos assim.


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os últimos dias dos vinte

Deixo os vinte para trás. Deixo a pressão dos dez anos da nossa vida em que temos de definir qual o nosso caminho. A definição profissional, a escolha da pessoa certa para ter ao nosso lado, a conquista de um lar, de um carro, da maturidade. Deixo para trás anos de uma grande revolta e insatisfação pessoal. De algum sofrimento. De muitas batalhas perdidas, tanto com outras pessoas, mas principalmente comigo mesma. Deixo para trás uma profissão que nada me diz, pessoas que nada me dizem, lutas que já não vou ganhar.
Entro nos trinta com a certeza de que cumpri muito do que esperavam de mim. Mas quase nada do que estabeleci para mim mesma. Colmatei muitas falhas no meu carácter, percebi o que não quero fazer, agucei os sentidos para a beleza colateral. Coisas que sempre me trouxeram entusiasmo, mas às quais dei pouca importância no devido momento.
Chego aos trinta com a pessoa que amo, com um lar, com alguns países conhecidos, com um cuidado e atenção ao meu corpo que nunca tive, com poucos mas bons amigos.
Chego aos trinta com uma lista imensa de sonhos por concretizar. A viagem que não fiz, o voluntariado para o qual nunca tive coragem de partir, o sonho profissional ainda meio desvanecido. Ñão sei se vou conseguir cumprir os pontos que ficaram sem uma conclusão, mas sei que começo a ter maturidade para aceitar que a vida nos dá pouco tempo e poucas oportunidades para atingi-los.
E essa, para mim, é a grande lição dos vinte anos. As oportunidades só surgem uma vez. O tempo não pára mais para voltarmos a reflectir sobre elas. O tempo e as oportunidades são agora. Não são hoje ao final da tarde, amanhã ou no próximo mês. O tempo é agora.



Voltando dez anos atrás, o que teria dito baixinho à miúda despreocupada com todo o tempo do mundo: 
Agarra o tempo. Abre os olhos para o que está a tua volta. Não podes voltar a este momento. Vai. Simplesmente vai.
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o meu único desejo

E de repente tudo muda. Sentes que o vento mudou de rumo, que o sol brilha mais para ti, que os teus receios te concedem finalmente um momento para respirar, que o mundo gira mais no teu sentido. São estes dias que nos permitem construir sonhos, relativizar palavras e atitudes, acreditar que conseguimos mesmo mesmo ser felizes. Viras a página e tens o mundo todo à tua espera, todas as oportunidades estão em aberto. É um novo capítulo, um novo rumo, que te aproxima mais do objectivo do teu coração. São Pessoas Que Acreditam Em Ti. Que te desejam palavras doces, que agradecem que estejas presente nas suas vidas. E essas Pessoas valem por todas as outras. 



Para 2017 tenho apenas um desejo:

Que se cruzem comigo as Pessoas Certas.
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2017, traz-me coisas boas ♥

Os anos pares são os meus anos de preparação para os ímpares. São a transição para algo maior, um salto no meu crescimento, na minha vida em si. 2016 foi, como esperado, um ano de passagem. Mas sobretudo foi um ano de limpeza e crescimento pessoal. Tenho a agradecer a 2016 a viagem à Islândia e a clareza de espírito. A arrumação que fiz nas minhas relações. Limpei muitas pessoas que me traziam dissabores, abracei outras que chegaram com o coração cheio. Aprendi a desconfiar de sorrisos prontos e palavras sem sentido. Cheguei um bocadinho mais perto de perceber o que é realmente importante nos nossos dias, o que é realmente priritário. O que nos traz serenidade e nos faz acordar felizes. Sonhei com o meu projecto de vida, falei dele às pessoas indispensáveis para vê-lo crescer, mas ainda tenho de amadurecer os passos para trazê-lo à luz dos dias. Sei, graças a 2016, o que realmente quero fazer e o que não quero continuar a fazer, de todo. Mas, sobretudo, quero agradecer o espaço que desocupei na minha vida e nos meus dias. Porque as coisas boas só chegam quando arranjamos espaço para elas entrarem e ficarem connosco. E eu tenho muito espaço à espera do que 2017 me vai trazer de bom.


 E alguma coisa me diz que vai ser um ano realmente ímpar ♥
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o amor não é complicado, mas a vida é

Estás longe e a casa está fria. A nossa pequena procura por ti sempre que ouve a porta da rua bater. Penso, enquanto cozinho o jantar só para um, que a vida deveria ser mais simples. Ou que teremos de a tornar mais simples. A falta que me fazes, o vazio que deixas preencher por frio nestes dias de inverno, não é simples. Não é simples explicar aos nossos pequenos que não vais entrar em casa e não é simples ter de aquecer os pés sozinha nas noites geladas. Não é simples saber que as outras pessoas partilham o jantar todos os dias, que se abraçam todos os dias, que adormecem e acordam com a pessoa que amam todos os dias. Não é simples aperceber-me do quão complicados somos. Não nós, um com o outro, não o nosso amor, mas os nossos dias. As nossas constantes viagens, as nossas distâncias, as nossas conversas cheias de sono já tarde pelo telemóvel. Não é simples agora que começa a época em que devemos ser mais para os outros, priorizar a família, dar mais de nós a quem nos rodeia. Não é simples como o amor que nos juntou, E nunca vai ser. Por mais complicados que sejam os nossos corações quando estão tão afastados um do outro.




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confiar

Muitas mudanças por aqui. Muitos estados de espírito diferentes. Tristeza e alegria extremas, dependendo se o sol aparece ou não. São estas fases de adaptação que nos fazem crescer, ficamos a conhecer melhor os nossos limites, as pessoas que nos rodeiam e como a vida muitas vezes nos troca as voltas. O "meu" projecto continua de pedra e cal dentro da minha cabeça e ocupa cada vez mais espaço no meu coração. Mas preciso de dar algum tempo a esta euforia de início e deixá-la amadurecer. Não quero cometer erros de principiante. Preciso, sobretudo, de alguém ao meu lado que partilhe este entusiasmo, que tenha tanta confiança e vontade neste sonho como eu. E sei, quando fecho os olhos e respiro fundo, que a vida se vai encarregar de trazer essa pessoa para o meu caminho. Sinto-o cá dentro. Só preciso de confiar que o universo sabe o que faz. Mas não precisamos todos?



Mais imagens bonitas de Outono no meu albúm "Let it fall".
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novos caminhos

Tenho a cabeça a mil. Acordo cheia ideias e esperança no que a vida me pode trazer. Setembro é e será sempre o meu ponto de viragem, e este ano não foi excepção. Acertou-me em cheio. No coração e na vida. Gostava de vos dizer que já alinhei os pensamentos com o coração, mas estaria a mentir-vos. Ainda não organizei o que vai cá dentro mas sei, agora mais do que nunca, que os meus dias não me chegam. Tenho muito mais para dar. Tenho causas para defender, tenho uma visão do mundo mais abrangente. Vi documentários, li e reli livros que não me trouxeram qualquer serenidade, mas uma vontade extrema de me levantar e agir. Sair da monotonia que esperam de nós. Cruzei-me com pessoas que me disseram que eu era muito especial, que acreditavam em mim, estranhos que viram o meu potencial, que fizeram luz cá dentro. Setembro revelou-me um outro lado de todas as coisas. Não basta pensar positivo, temos de agir em concordância. Tenho de agradecer a missão que me foi dada, tenho de ir ainda mais dentro de mim e puxar o que ando a esconder há alguns anos. Esta necessidade de mudança, de renovação, está a mudar-me. Para melhor. Preciso de criar para ser feliz. De provocar sorrisos. De trazer um bocadinho mais de luz a quem me rodeia. E tudo começa com abrir espaço para que isso aconteça. Renovem os vossos dias, as vossas coisas, a vossa vida. Doei roupas que não usava há anos e estavam esquecidas no roupeiro, destralhei gavetas cheias de insignificâncias, dei destaque a fotografias, lembranças, mantras para os quais gosto de olhar todos os dias. Mas mais importante ainda, limpei pessoas. Afastei de mim relações que não me traziam amor. 



Limpem a vossa vida, as vossas relações, o vosso roupeiro, as vossas gavetas da tralha. Este é um recomeço e queremos começar o mais leves possível. Queremos trazer connosco quem nos quer bem, uma mochila leve de amor e esperança.
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Até já

Preciso de parar. De recomeçar outra vez. Os últimos meses têm sido duros, muitos sonhos à espera, muitos dissabores, muitas expectativas caídas por terra, muitos obstáculos, pessoas negativas à minha volta, acontecimentos sem sentido. Por mais que tente ver sempre o lado bom das coisas, custa-me muito admitir que desta vez não estou a dar conta do recado. Estabeleço objectivos e não consigo cumpri-los, há sempre qualquer coisa que me impede de concretizar os planos que fiz para mim. Sinto-me cansada, física e emocionalmente. Tenho sempre sono, desmotivo com uma facilidade surpreendente. Praticamente não me conheço nos últimos tempos. A minha determinação ficou lá atrás, acordo frágil e deito-me esgotada. E é por isso que vou parar. E parar implica deixar de vos escrever. Não estaria a ser fiel a este blog se o continuasse a fazer. Não consigo a inspiração de que preciso, a força e a destreza de palavras. Vou parar. Não para sempre. Vou parar até encontrar de novo o que preciso, até me sentir em paz novamente. A transição desta fase do ano vai, com certeza, ajudar. 

Afinal, Setembro é e sempre foi o meu recomeço. Este vai ser o meu recomeço. 

Até já.


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em jeito de despedida

É difícil olhar para trás e não desejar que as coisas tivessem sido diferentes. Por muito que nos mantivéssemos no mesmo caminho, há sempre alguma coisa que gostávamos de mudar. Uma frase, um gesto, uma decisão. Quantas vezes não fazemos todo o filme dentro da nossa cabeça, caso tivéssemos tido coragem de fazer diferente? E porque não fazemos diferente a partir de hoje? Porque não esquecemos as limitações, a forma como estamos condicionados pelo que nos envolve, absorvidos nas nossas próprias vidas, demasiado preocupado com coisas que não fazem sentido? Porque não nos libertamos uma vez que seja e somos quem realmente queremos ser? Fazemos realmente o que queremos fazer? Porque não aceitamos de uma vez por todas que esta vida não se repete e esta é a nossa única oportunidade?




Em jeito de despedida de Agosto. Setembro está mesmo aí. O meu recomeço. O meu mês mais querido, em que fecho um ciclo, encerro capítulos e tento fazer diferente. 



r.e.c.o.m.e.ç.a.r




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o que os sonhos pedem


Um dia vou acordar com o som das galinhas ao fundo do jardim. Vou caminhar descalça pela terra molhada. Vou ver crescer os legumes que vou usar na cozinha, vou apanhar ervas daninhas e vou ouvir o silêncio ao anoitecer. 
Um dia vou correr atrás dos meus filhos num espaço só nosso, vou vê-los brincar com a terra e com a água, vou fotografá-los com a luz dourada no meio das searas de trigo e da sombra das oliveiras.
Um dia vou usar galochas no meio da chuva, vou embrulhar-me numa manta e esperar o luar no alpendre, vou acender velas e dançar ao som da melodia das cigarras.
Um dia vou beber chá quente enquanto aguardo pelo aroma a bolo de chocolate em frente à lareira, vou mergulhar na piscina nas noites quentes de verão, vou vestir as árvores que plantei de luzinhas de natal.



Um dia, deixo a cidade para trás e rendo-me ao que o coração pede e os sonhos querem.


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confiar na vida

Acreditar que a vida sabe sempre o que faz. Que os nossos sonhos estão à nossa espera no quilómetro certo do nosso caminho. Que não devemos apressar as vontades, esquecer o planeamento ao milímetro, deixar-nos levar ao sabor dos dias mais azuis, cheios de luz. Acreditar nas palavras que nos foram ditas lá atrás, confiar em quem nos trouxe ao colo até aqui, mesmo que agora esteja longe de nós. Não ceder à pressão, não ceder aos dias menos bons, à noites mal dormidas, aos dias demasiado apressados. Dar prioridade a nós mesmos, ao nosso bem estar, depois aos outros e só depois ao trabalho. Confiar que tudo dá certo quando não nos levamos demasiado a sério. Que se estivermos bem e serenos dentro de nós, todo o mundo vai conspirar a nosso favor. E nos dias em que parece que tudo vai contra nós, sermos felizes cá dentro. Em segredo. O segredo das nossas coisas felizes, dos nossos hábitos felizes, fazermos o que nos faz felizes. Seja mergulhar no mar salgado, petiscar, ver um filme já muito tarde, ver o sol nascer ou fotografar quem nos enche a vida de sonhos.


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calar o amor

Às vezes apetece-me dizer-te que te amo. Fico parada a olhar-te sem reparares. Deixo o que estou a fazer durante uns instantes e descanso o meu coração em ti. Dou o impulso de formar as palavras dentro de mim e de as tornar realidade, mas quase sempre calo-as em segredo. Calo-as porque me recordo do que te pedi e ficou por fazer. Calo-as dentro dos dias longe e perto de ti, das noites em camas de hotel, dos quilómetros que conduzimos e que nos afastam, dos pratos para lavar e da roupa por estender. Calo-as no quanto crescemos um ao lado do outro, na confusão dos dias. Calo-as porque o amor quando cresce deixa de ter tempo para declarações de amor. Deixa de ter tempo para dar as mãos, passear no parque e ler um para o outro. O amor, assim como tu e eu, passa a ter outras prioridades. Passa a ter de ser resiliente para com o dia a dia, a ter de ser paciente com quem o rodeia, a ter de conseguir respirar para sobreviver. E depois esquece-se de dizer que há alguém que lhe ocupa o pensamento o dia inteiro. Que cinco anos depois lhe apetece dizer o quanto te ama depois de te ver a procurar mais um voo para o outro lado do mundo ou no meio de uma estrada sem pavimento no Alentejo profundo.
Guardo-nos mais uma vez no coração quando volto ao que estava a fazer.  Mas as palavras que não se tornaram realidade vão acumulando cá dentro. Umas atrás das outras. Atafulhadas no meio do turbilhão dos dias longe e perto de ti. Adormecem ao teu lado e acordam todos os dias para ti. Mudas. Caladas no amor que se tornou maior que elas. Maior que eu. E por isso hoje escrevo-as para ti.

Amo-te João. Mesmo com a vida toda a acontecer. Mesmo a centenas de quilómetros de ti. Mesmo a conduzir debaixo deste calor infernal. Mesmo que só te volte a ver daqui a dois dias.

Amo-te a cada momento da minha vida. Mesmo que esteja demasiado ocupada para to dizer.




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o que a vida nos tem exigido

Enquanto guardo mais um vestido na mala penso no que a vida nos tem exigido nos últimos meses. Quantas mais noites teremos de passar a centenas de quilómetros um do outro, quantos mais quilómetros terei de conduzir para longe de ti e da nossa casa. São mais cinco dias meu amor. Cinco dias longe dos teus abraços, do teu sorriso, das tuas palavras. Cinco dias de solidão numa cidade que nada me diz, numa cama desconhecida. São cinco manhãs em que não vou resmungar contigo por não levares a Sushi à rua, manhãs em que acabamos por cronometrar o pequeno almoço encostados ao balcão da cozinha porque os horários assim o exigem. Mas consigo ver-te, tocar-te, ouvir-te na outra divisão da casa. 





E a única coisa que me traz alguma felicidade nestes dias em que me sinto a pairar entre o que devo fazer e o que quero realmente, é o facto de imaginar-nos daqui a uma semana. 




Numa ilha perdida longe daqui, com muitas estradas lindas e desertas para percorrer, com paisagens de cortar a respiração. Daqui a uma semana, meu amor, vamos estar de mãos dadas durante as 18 horas de luz que a Islândia tem para nos oferecer. Vamos falar de tudo e de nada. Vamos adormecer encostados um ao outro enquanto lá fora as temperaturas chegam aos graus negativos. 
Vamos ter uma semana só um para o outro.



 Lembraste da última vez em que acordámos um ao lado do outro durante uma semana seguida? 
 Eu não. 
 Mas é com essa imagem feliz que hoje adormeço, mais uma vez sem ti ao meu lado.






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hoje adormeço com o coração fora do peito

Fui despedida há dois anos. Depois disso estive muito tempo em casa. Falei com todas as pessoas que conhecia e não conhecia, fiz e refiz o meu currículo vezes sem conta, perdi a conta ao número de emails que enviei, aos telefonemas que fiz, às portas que bati. Fiz formações, aproveitei tudo o que o meu país teve para me oferecer, não neguei nenhuma oportunidade de desenvolvimento profissional. De pouco me serviu e pouco ou nenhum acompanhamento tive pelas autoridades competentes. Quando estava prestes a ficar sem chão dei ainda mais corda aos sapatos e vi-me completamente abandonada profissionalmente. Não havia nada para mim na área onde me formei. Não havia uma única pessoa que não me dissesse para ir para fora. Comecei a chorar na almofada em silêncio todas as noites antes de adormecer. Tinha a minha casa, os meus bichos, o meu marido, a minha família, os meus amigos, todos aqui. Se tivesse de ir embora teria de arrastar todos comigo, senão fisicamente, pelo menos de coração. Até que arregacei as mangas e comecei a disparar em todas as direcções. Até que alguém reparou em mim e o telefone tocou. Uma área completamente diferente, um desafio completamente novo, muitas expectativas, muito nervoso miudinho. Era a minha oportunidade. Que outra hipótese senão agarrá-la? E agarrei. E dei o meu melhor, num estágio profissional, nos últimos nove meses. Fiz muitos quilómetros, conheci centenas de pessoas, sorri muito, falei ainda mais, fiz tudo o que podia ter feito. Tenho vinte e nove anos e daqui a poucos dias vou saber o meu destino. Vou descobrir o que fez a vida da parte dela em relação à minha estabilidade profissional. Assino contrato? Fico mais uma vez pelo caminho? Terei de lutar por mim, mais uma vez? Pela minha família? Terei, finalmente, possibilidade de respirar sem me doer o coração por não saber o que me está reservado? 

Terei sido o melhor de mim?


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Onde te imaginas daqui a dez anos?

Onde te imaginas daqui a dez anos?
É, talvez, a pergunta que mais ouvi em entrevistas de emprego. Foi exactamente a mesma pergunta que fiz a mim mesma aos 18. Enquanto entrava na faculdade com o pé direito e o peito cheio de ar e esperança, já sabia onde ia estar daí a dez anos. Quando saí, quando me sentei pela primeira vez do lado vulnerável da secretária, não precisei de parar para pensar. Folheei o meu futuro, imaginei-o, defini-lhe os contornos na minha cabeça. Daí a dez anos teria um emprego estável, estaria na fase de transição para a primeira subida de lugar, teria uma casa minha, no parque nas nações, ajudaria nas aulas da minha faculdade como assistente ou professora de recurso, teria um mestrado e um carro novo. 
Dez anos depois aprendi umas das grandes lições da vida. É que entre nós e o que queremos, existem pessoas, existe tempo, existe dinheiro, existem expectativas boas, más e péssimas, existe confiança, existe sorte, existe reconhecimento, frustração e saúde. Entre nós e o que queremos para a nossa vida, existe o mundo todo. Que não pára de girar, que não abranda nunca. E hoje, dez anos depois, quando entro no transporte público que me leva de quinze em quinze dias à segurança social, quando espero nas filas do centro de emprego por uma oportunidade, quando fico semanas à experiência, onde já devia liderar uma equipa, hoje, dez anos depois, percebo a mais importante das lições. Entre nós e o que queremos, existe o mundo todo. A vida toda a acontecer. Existe o destino das decisões que tomamos, o peso das consequências inevitáveis. 
Onde te imaginas daqui a dez anos?
É, talvez, a pergunta mais estúpida que nos podem fazer. 

Onde te imaginas daqui a dez anos?
Daqui a dez anos não sei. Daqui a dois meses quando ficar sem subsídio e sem emprego também não. Daqui a dez anos não existe o nós e o que queremos. Existe o nós e o que aprendemos a aceitar.




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