Acreditar no futuro. Olhar para ele sem receio. Interiorizar que o melhor está, mesmo, para vir. Acordar e fazer planos, tomar decisões no sentido que queremos seguir. Não duvidar, não desvanecer, não fraquejar a cada passo. Sermos mais fortes, acreditarmos que somos amados, que somos bons, que temos todo o potencial que vêm em nós. Usar um sorriso na cara e contrariar os dias maus, longos e cinzentos. Potenciar o mau para o bom. Fazer os outros mais felizes, para sermos mais felizes também. Crescer, crescer tanto, mais um bocadinho todos os dias. Esperar, pelo melhor, pela oportunidade que nos prometeram, pelo que acreditam de nós. Fortalecer relações e não dar margem para pensamentos perdidos. O foco. Naquilo que queremos, que gostamos, que merecemos. Focar o futuro feliz que nos espera e viver este dia como se a espera estivesse prestes a acabar.
O preço de esperar
Esperar é difícil. É talvez a parte mais dura. A que nos dá dias tãos bons e outros igualmente maus. É saber canalizar a força de vontade e manter o foco que dá mais trabalho. É aproveitar o tempo para conhecer mais e melhor, para dar um sentido às coisas que nos rodeiam, para planear dias inesquecíveis. Mas custa. Muito. Ter o ojectivo mais à frente e não depender de nós para atingi-lo mais depressa. Para atingi-lo já. Há que viver um dia de cada vez, aproveitar esta benção de tempo e de espaço. Descansar tudo o que a alma lutou nos últimos anos e dar-nos mais valor. Porque merecemos. Porque o potencial está todo aqui, enclausurado, prontinho a disparar em todas as direcções. Os planos vão ganhando forma e as metas visibilidade. Eu vou ganhando coragem para enfrentar todos os dias como se fossem os primeiros. Estamos quase... estou quase. Destino, não me falhes agora.
consegues ouvir, aí do outro lado do mundo?
Uma vez tive uma discussão de caixão à cova com o meu namorado e bastou-me ouvir um toque. Atendeste do outro lado e só te disse três palavras. Em dez minutos ouvi o teu opel corsa a estacionar e desci escadas abaixo como um foguete. Entrei no carro e perguntaste, vinho ou tequilla? Tequilla, claro, como daquela vez em Lagos numa noite de verão em que chovia torrencialmente. Deambulávamos de carro, bebíamos, falávamos mal dos homens e na leveza da tua companhia conseguia relaxar o corpo e rir-me com parvoíces. Eras o meu escape, o meu porto seguro. Durante três anos, conhecia o som do teu carro melhor do que ninguém, pressentia-o sempre. Por isso, me fizeste tanta falta no último ano, quando decidiste ir para outro país, tão longe e tão frio e me deixaste com os horários da CP metidos dentro do bolso. Pensava em ti sempre que chegava já noite a casa e não estavas lá para conversar comigo. No meio dos solavancos da carruagem chorei baixinho ao lembrar-me do quanto gostava de ti.
Estás a ouvir? Já deixaste tocar mais do que uma vez. Não atendeste. Estou à tua espera e tu estás do outro lado do mundo. Eu dou-te mais dez minutos. Depois vamos passear pela VFNO e beber coktails que já estou farta de tequilla, vamos atravessar a ponte e vais reclamar comigo quando não quiser desligar o rádio para estacionares.
Já estás a caminho?
planos do ♥
Têm sido dias de muitos planos, muito sol, muita comida boa e muitos mimos. Acordar ao som das gaivotas que dão as boas vindas ao calor, ter um batido cheio de frutas e sementes boas à minha espera e correr até ter os pés na areia quente. O local de eleição, e que só foi descoberto este verão, é a praia morena. Uma extensão de areal a perder de vista, mar a lembrar as águas do sul, chapéus de palha e gente bonita. Sangrias frescas depois de mergulhar na água salgada e saladas de comer e chorar por mais. Horas perdidas a imaginar plantas de casas, marchas nupciais, destinos para a lua de mel e muito, muito amor. Muitos sorrisos cúmplices, muitas caminhadas à beira mar de mãos dadas, muito azul nas fotografias que vão encher as paredes da nossa casa. São estes momentos que levamos no coração, já embalado para um dia tão especial, que está quase à distância de um ano ♥
Todas as viagens têm um destino
Sentei-me e esperei. Um pombo pousou numa das muitas placas que assinalam o destino destas linhas férreas. Que correm, correm por muitos e longos quilómetros, trazem e levam pessoas de volta a casa. Também eu estou de volta a casa. À terra que palpita no meu pequeno coração. Estou de volta a estas carruagens que fizeram parte de muitos momentos da minha vida. Momentos bons e menos bons. Ao som de música e de palavras impressas em páginas de papel que trazia sempre no colo. Muitas vezes escrevia as minhas próprias palavras na minha cabeça, passava em revisão toda uma situação imaginária, com personagens e ficção para não cansar o espectador. Mas cansava-me. De sentir, principalmente. Foi numa destas carruagens onde agora entro que chorei o fim do meu primeiro amor, no último comboio da noite. Escondida entre os bancos e a música nos ouvidos, relembrei todas as pequenas coisas e por todas fiz questão de secar as lágrimas. As mesmas que ficaram para trás quando me sentava neste comboio às primeiras horas da madrugada e levava o coração cheio de esperança por uma vida melhor. O mesmo coração cansado que carregava dentro do peito de volta à minha terra quando a esperança morria, por último. Tudo passou, mesmo quando abandonei o comboio ele continuou a seguir os mesmos caminhos, as mesmas linhas do destino, parou nas paragens de sempre e conheceu novas pessoas de todos os dias. Arrancamos à hora, por fim, e escolho o mesmo lugar, aquele que já teve o formato do meu corpo. No colo levo uma nova resma de folhas que me obrigam a abandonar este dia durante alguns minutos. O sol aquece-me as mãos, onde o meu coração descansa. "Não amamos menos um lugar por termos sofrido nele" confessa-me a autora na primeira página. A ironia da verdade que volta a acordar o meu coração meio adormecido e que me faz reviver as viagens de sentimentos tão díspares aqui vividos. Acorda coração, estamos de volta a casa, e não consigo imaginar o fim desta viagem.
"Não amamos menos um lugar por termos sofrido nele", Jane Austen
A felicidade está em nós
Existem em nós algo de grandioso. Quanto mais não seja a capacidade de gerar outro ser humano ou de fazer alguém sorrir. Existem em nós o poder de mudar o mundo e a vontade de criar alguma coisa do nada. O potencial é inesgotável. Existe amor em nós. Existe fé, responsabilidade, grandiosidade. Em mim, em ti, em todos. Dispomos de tudo para o conseguir. Porque é em nós que tudo começa e tudo termina. A determinação e os sonhos tratam do resto. O mundo cabe-nos na palma da mão. E é por isso mesmo que temos dias com sabor a morangos doces e actos gigantescos de bondade. Existe em nós a capacidade de arriscar, de fazer melhor, de fazer o bem. De ajudar quem mais precisa, de dar a volta ao mundo, de registar em palavras o que pensamos. O nosso poder, capacidade e influência na vida têm um propósito. O propósito de encontrarmos a felicidade. Vamos procurá-la?
E quando as palavras não são suficientes?
Ser um espiríto livre implica um olhar diferente sobre todas as coisas. Pular a cerca e ver o que nos espera do outro lado, conhecer as atitudes correctas e as que deixam a desejar, traz-nos dúvidas. Pomos em causa decisões com base em cimento que, de tão grandes, nos fazem sombra. É a permanente insatisfação que nos atropela logo pela manhã, a consciência de que alguma coisa não está certa. Não conseguir chegar àqueles que fazem parte da nossa vida é avassalador. É desmascarar tudo o que está cá dentro e mesmo assim perder. Perde-se força e enfraquece-se. Perde-se a garra de agarrar o mundo pelas palavras. Amarrotam-se sonhos e faz-se pontaria ao caixote do lixo. Não sermos compreendidos por aqueles que vêem mais em nós, é transformar as palavras em silêncios. É calar quem nós somos de verdade. Porque parece não ser suficiente. E quando as palavras não são suficientes deixa de fazer sentido.
Ao meu amor
É olhar para ti e ver-te todo. Sem filtros ou pretensões. Falar contigo, olhar-te dentro dos olhos e gravar-te na memória. As rugas de expressão à volta dos olhos quando sorris, a tua mão direita a passar no cabelo, a forma como me envolves no teu abraço ou como me sentas no teu colo quando a vida não corre bem, como se fosse muito pequenina, como se o teu dever fosse proteger-me. Só não consegues proteger-me do quanto gosto de ti.
Parabéns meu amor ♥
Depois de acabar
Respirei fundo. Como se estivesse a suspender a respiração há anos. Como quando não temos uma coisa e só nos damos conta da falta que nos faz depois de a experimentarmos. Inspirei fundo, passei as portas automáticas que respondem a cartões de segurança e deitei o ar fora devagar, muito devagar. O sol obrigou-me a fechar os olhos, como se estivesse mergulhada na escuridão há uma eternidade. E depois senti. A leveza. A leveza do tempo, o alívio do peso que tinha sobre os ombros, a imensidão do mundo cá fora. A leveza da esperança, do futuro que tenho reservado para mim. Longe de cartões, bandas magnéticas, normas corporativas, processos de qualidade, cancelas automáticas, formalidades hipócritas. Fechei tudo dentro de uma caixa que ainda não me resolvi a queimar ou a esquecer no fundo da garagem. Acabou.
E eu. Eu, estou prestes a começar ♥
Muita calma nessa hora
Se tivemos sorte? Acho que não. Somos a maldita geração dos quintentos euros. É olharmos à nossa volta e ver recém-licenciados, capazes, cheios de vontade de uma vida melhor, a trabalhar durante meses com propostas garantidas que não acontecem. Jovens cheios de vida, cheios de ideias e de perspectivas que acabam por se resignar ao que têm para lhes oferecer. Também já o fiz. Durante meses, mas alguma coisa dentro de mim me chamou à razão. E foi com muita tristeza que vi duas amigas do coração saírem deste país. Uma foi à procura do sonho para o outro lado do mundo. Aqui, sonhos como esse, são desfeitos todos os dias. E a culpa é não só de quem oferece essas oportunidades, como também de quem as aceita. E se não consigo lutar por todos, luto por mim. Tive a oportunidade de construir um currículo que muito poucos podem oferecer. Não sou recém-licenciada, tenho uma perspectiva diferente e muita vontade de acrescentar mais valias a qualquer serviço. Sou experiente, sou fiel a mim mesma. Quero muito voltar às origens e à razão pela qual tirei esta licencatura, mas quero sobretudo o que é melhor para mim. A fase do risco ficou lá atrás. Deu lugar à fase das decisões certas e ponderadas. Às decisões sem pressa nem correria. Porque quero o que me fizer mais feliz e que me traga alguma paz e estabilidade. Quero ir de encontro a quem olhe para mim com olhos de ver, a quem lutar pelo que posso trazer de melhor, a quem me queira bem e acredite do que sou capaz. Se pelo caminho me fecharem portas na cara, vou acreditar que é por um bem maior. E porque comigo tenho aqueles que me apoiam sempre, que me ajudam a decidir e que acreditam que mereço melhor. O caminho faz-se caminhando. Lado a lado com quem está no nosso coração e nos enche os dias. A sorte protege os audazes. E hoje arrisquei pela minha felicidade.
Itália 2013
Pontos de viragem
Existe em nós, sonhadores, qualquer coisa que nos engrandece. Seja pelas montanhas que nunca subimos mas que estão no horizonte das nossas visões diárias ou pela capacidade de recriar cenários para coisas comuns. Seja pela força de vontade em mudar para melhor, sempre, ou pela indecisão que nos atormenta no dia-a-dia. Sempre quis ser melhor. Nunca fui ambiciosa e tenho plena consciência das minhas limitações. Mas é a sonhar que me vejo como alguém que tem alguma importância neste mundo. O privilégio de antecipar o que é inalcançável para muitos, e o prazer de confiar no meu instinto. Tenho um instinto quase felino, sei reconhecer pessoas menos boas a léguas de distância, fico atormentada sempre que tenho de lidar com elas e não tenho por onde fugir. São pessoas que me limitam a visão, que me entopem de coisas más, que me fazem duvidar das minhas capacidades. São o meu oposto, o meu ponto de viragem. E a liberdade dos próximos tempos traz-me paz por saber que essas pessoas ficam encaixotadas lá atrás, no passado que já não pode acontecer. O futuro está mesmo aqui, recheado de sol, coisas bonitas para fazer, desafios novos e muitas, muitas pessoas que me querem bem. E que me fazem ser melhor.
Às minhas pessoas
Durante todo este percurso, as noites dormidas em hotéis a centenas de quilómetros de casa, o mau feitio e os muitos telefonemas a horas indecentes, tive sempre o apoio dos meus amigos. Foram incansáveis. Foram o meu ponto de apoio, a palavra reconfortante para não deitar tudo a perder. São eles que acreditam em mim, são eles que me elevam o ego e fazem de mim uma pessoa melhor. Tu, meu amor, és a única coisa boa que retiro destes últimos quatro anos. Se não me tivesse sentado ao teu lado naquele dia 2 de Novembro, talvez nunca me tivesse apaixonado por ti. Foste tu que acreditaste sempre no meu melhor, foste sempre tu que me viste como realmente sou. Agora que tenho total liberdade para planear os meus dias vou fazer aquilo que sempre quis.Vou rodear-me de pessoas que me querem bem. Pessoas certas, positivas, amigas, apaixonantes, as minhas pessoas. Porque agora vou ser aquilo que sempre viram em mim.
E um obrigada gigante a vocês, desse lado, as palavras, mensagens, comentários, telefonemas que tenho recebido elevam-me o astral.
Obrigada por estarem desse lado, é por vocês que este blog existe, é por vocês que quero mais e melhor, é por vocês que quero concretizar sonhos.
Não percam este comboio, a viagem ainda agora começou ♥
Gosto de ti no verão
Gosto do sal seco do mar na pele. Gosto de morangos. Gosto do calor do sol nas costas e do vento no cabelo. Gosto de pulseiras coloridas. Gosto de cores fluorescentes. De comer pipocas no cinema. De sardinhas e coca-cola. Gosto de dormir a sesta contigo no sofá. De beber caipirinhas. Gosto de ter o cabelo curto e não o pentear. Gosto de te ver olhar para mim. Gosto de me rir até ter de chorar. Gosto do verão, do mar, da areia que se entranha em todo o lado, gosto do cheiro do Nivea, de calções curtos e tops de renda. Gosto de alpercatas e de mergulhar na água gelada quando estou a ferver. Gosto de gelados que escorrem pelos dedos. Gosto de ti. Gosto tanto de ti no verão.
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Ir ou não ir?
Há decisões tão grandes que assustam. Daquelas que nos fazem roer as unhas e ter a perna constantemente a tremer. Decisões de uma vida. De ir ou ficar. De deixar a vida que se conhece para trás. Que nos trazem paz de espírito apenas e só depois de dar o primeiro passo. Falar delas é muito bom, em jeito de brincadeira e sonhos que só nos passam pela cabeça esporádicamente. Mas vê-las ganhar forma diante dos nosso olhos assusta. E o mais estranho é que assusta por ser tão bom de ver. Parece tão errado. Parecemos tão frágeis diante delas. Estamos por nossa conta e risco. Se falharmos voltamos para casa com a sensação de ter arriscado, de não ter ficado com o "e se" preso na garganta pelo resto da vida. O Manuel Forjaz, na entrevista ao Daniel Oliveira, quando já não acreditava que ia sobreviver, disse que a única coisa que mudaria na vida dele seria o facto de não ter ido viajar durante anos de mochila às costas. Diz ter-se arrependido de não absorver novas culturas e conhecer o mundo de uma maneira tão profunda quanto a de viajar sem destino. E eu chorei a ouvir aquelas palavras. Porque sei que se morrer daqui a 5, 10 ou 80 anos é precisamente do que me vou arrepender. Há pessoas que nascem para ver o mundo, para sair dos limites. E eu tenho-me limitado vezes demais.
Time to change
Quando sentes que os dias não condizem contigo. Quando passas o dia a sonhar acordado. Quando as mais pequenas coisas te fazem sentir mal. Quando sentes a revolta física e a tentativa do teu corpo te sabotar os compromissos. Quando vives para o fim de semana. Quando aproveitas todos os minutos para planear a próxima viagem. Quando te desmazelas e não estás nem aí para isso. Quando a vida que tens te tira o sono.
É quando deves aceitar a mudança. É hora de arregaçar as mangas. De correr a cidade de uma ponta à outra. De esperar oportunidades do outro lado da linha. De sorrir ao imaginar o que tanto queres. De escrever mil vezes, um milhão de vezes, as vezes que forem precisas o que realmente queres. De rezar para que o Universo conspire a favor. Porque quando o vento muda e as noites se tornam mais leves, quando se sente a mudança dentro de nós, quando se aceita que esta não é a vida que queremos, acredita que nem as cadeiras desconfortáveis onde esperas horas, por uns breves segundos de conversa, te fazem duvidar. É tempo de esperar decisões. E de conspirar a favor delas. Este é o tempo para concretizar sonhos.
[Get Up- Tom enzy ft. Mikkel Solnado]
Last dance
"Gosto de um episódio da série de desenhos animados do Bip Bip, em que o coiote está dentro de uma cabana e quando vê que o comboio o vai atropelar baixa as persianas. É como as crianças quando fecham os olhos para desaparecerem e dizem "Não estou."
Esta é a atitude que, infelizmente, muitas pessoas ainda continuam a adoptar nos momentos de profunda transformação em que vivemos. Em vez de saírem da cabana, construírem uma nova ou pensarem em como acabar, de uma vez por todas, com o Bip Bip, baixam as persianas e acreditam que assim a mudança não acontecerá.
Há uma fábula na qual um cão está sentado sobre um prego e um outro cão pergunta-lhe porque não se levanta. O cão responde: «Porque me dói menos do que quando me levanto.» Às vezes, embora a água já nos chegue aos tornozelos, pensamos: «Não me incomoda o suficiente para me ir embora.» E então a água continua a subir, primeiro até aos joelhos, depois até à cintura... e, ao adiarmos o momento da tomada de decisão, perdemos um tempo valioso.
A vida vai avisando, com pequenos sinais, quanto às coisas que precisamos de alterar ou que já não funcionam. O que acontece é que não ouvimos. Preferimos continuar no convés, a dançar ao som da orquestra, em vez de prestarmos atenção aos sinais de que algo não está muito bem com o barco."
da Sofia
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NY, the end
Passa-me pela cabeça viver aqui enquanto engulo com prazer os cachorros quentes mais famosos do mundo no Grays Papaya. Ninguém olha duas vezes para a mixórdia de gente nas ruas. Está tudo concentrado nos seus pensamentos. Ou onde vão comprar o próximo balde de café. Todas as mesas, lojas, passadeiras, bancos de jardim, estão ocupados. Há arte em todo o lado. Há coisas bonitas em todo o lado. Páro vezes sem conta a meio das passadeiras para fotografar as avenidas que se estendem até ao fim do mundo. Na sombra das fachadas de tijolo juntam-se rulotes de pizzas, cachorros, hamburgueres, pipocas com os mais variados sabores. Está tudo condicionado nesta ilha. As galerias de arte são apaixonantes. As lojas são alternativas e discretas. Na cidade dos extremos, dos radicalismos, de milhares de culturas que vivem em sintonia, não há maior discrição. Ninguém sobressai, ninguém chama a atenção. Tudo é certo. Tudo é normal. Não há espaço para narizes empinados e juízos de moral. Podemos comer pipocas ao pequeno-almoço, acompanhadas de diet coke. Misturamo-nos no meio da massa de pessoas que aqui vive. Há uma normalidade implícita. É a nossa segunda casa, de tão confortável que é. Onde existe liberdade para sonhar e onde tudo pode ser concretizado. NY I'm in love with you. E agora fazes parte da minha vida de uma forma tão especial. Nova Iorque, onde fui pedida em casamento. Onde começa a nossa história.
[uma vida inteira de trombas para ver a vida ir-se embora assim]
Para mim tem o mesmo efeito do que andar descalça na relva. Ou melhor. É andar descalça à beira mar nestes primeiros dias já atrasados da Primavera. Não há nada no mundo que pague isto. Chegar a casa, descalçar os saltos e tirar a roupa formal, enfiar uns jeans, uns chinelos e dar corda às perninhas até ao outro lado da estrada. Inspirar o ar salgado, queimar a cara com o sol do fim do dia. Passar pelos aglomerados de pescadores a tentar vender o que o dia lhes rendeu, ainda aos saltos dentro das caixas de plástico. É a frescura no seu melhor, a água límpida, a praia paraticamente deserta. Arejar as ideias, pensar em coisas boas, fazer uma espécie de discurso inspirador do dia. Porque a vida é isto. Acaba não tarda nada.
"nestes momentos em que o cancro se torna assunto é inevitável pensar no meu pai. não nas saudades que tenho mas na doença que o matou. o meu pai foi, durante toda a vida, e muito por consequência da morte da minha avó com um cancro muito doloroso, um homem triste. aquelas pessoas sempre com duas rugas na testa, zangado com a vida. quando o meu pai descobriu que tinha cancro, não ficou zangado, entregou-se aos médicos e mostrava uma serenidade brutal. depois da primeira operação, em que lhe foi removido um tumor maior que uma bola de futebol, o meu pai mudou. fizemos viagens, mimou a minha mãe, passeava, jantava fora e sorria. disse-nos: uma vida inteira de trombas para ver a vida ir-se embora assim.
e essa frase marcou-me para a vida. para a minha vida."
encontrar a felicidade pelo caminho
Relaxar o corpo preso ao stress do dia-a-dia e sentir as articulações estalar sob a pressão dos tendões. Parar e perceber o que está errado, que afinal a prioridade número um devia estar no fundo da lista. Que a pele começa a desgastar-se e o coração ainda tem tanto para dar. Vamos ser outras pessoas. Vamos vestir o lobo de cordeiro e vice-versa. O que nos apetecer. O que nos fizer felizes. Só o avião e o oceano nos separam da vida que queremos neste axacto momento. Sem juízos de moral, pedidos de desculpa e reticências. É um recomeço. São dias para tirar folga de nós mesmos. Como uma licença de sobrevivência. Vamos viver Nova Iorque, respirar Nova Iorque, ficar com Nova Iorque no nosso caminho, na nossa vida, na nossa história de amor.
Escolher o amor
Sempre que olho para ti o meu coração fica suspenso entre um batimento e o outro. Como se não tivesse coragem de seguir em frente. Como se te quisesse guardar para sempre lá dentro. E tu ocupas o meu coração inteiro, desde o dia em que voaste três mil quilómetros até mim. E eu tenho de te contar um segredo. Desde esse dia já percorremos muitos quilómetros juntos, mas sabes o que falta? Faltm muitos muitos mais. Porque encontrar uma alguém como tu deve ser o trabalho de uma vida para a maioria das pessoas. Para mim não. Já aqui estás. Já pensamos nas mesmas coisas ao mesmo tempo e ainda ficamos incrédulos quando o dizemos em voz alta, já fizemos muitas das viagens da nossa lista de sonhos e continuamos a querer os mesmos destinos e as mesmas escolhas. E é por isso que te escolho. No meio do Central Park, na cidade que nunca dorme, ajoelhei-me para ficar ao teu nível e disse que sim Apesar de as minhas lágrimas me terem denunciado mais cedo. Sim, sim, sim ,sim. Sim aos nossos planos, aos dias ao teu lado, aos sonhos partilhados, ao teu amor. Porque vou só dizer-te mais uma vez. És a melhor parte da minha vida.
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