♥ Páras de mamar e sorris para mim
♥ Acordas sempre bem disposto
♥ Continuas a mamar imenso durante a noite
♥ Já agarras nos objetos e estás fascinado com a tv
♥ Aprendeste a fazer bolhinhas de saliva e fazes isso o tempo todo
♥ Já não dormes durante os passeios, mas observas tudo super calminho
dar-te o mundo
Tenho medo que cresças isolado. Que não consigas partilhar as experiências de início de vida. Que sejas limitado pela vida que te oferecemos. Nunca gostei de ser filha única. Nem de ter uma família numerosa mas sempre distante. Não tive o apoio de irmãs, primas, tias, avós, sobre a maternidade. Não ouvi conselhos nem tive a quem recorrer quando as muitas dúvidas não me deixavam dormir à noite. Tenho imensos primos que praticamente não conheço e muito poucas ligações familiares. Prometi a mim mesma, já há alguns anos, que só me ficaria por um filho se não pudesse mesmo ter mais. E, mesmo sabendo que vou querer dar-te irmãos, o peso da tua solidão familiar pesa-me no peito. Fico de sorriso nos lábios sempre que vejo famílias reunidas, primos a correr atrás de primos, bebés que saltam de colo em colo, alguém ter sempre alguma coisa a dizer sobre a forma como fazemos as coisas. Sinto aquela inveja boa das família que se juntam aos fins de semana e nas férias, na casa de família, onde os primos aprendem a nadar com os tios e as avós oferecem gelados às escondidas. Famílias que fazem o esforço de arrancar à sexta e partir apenas no domingo depois do sol descer. Mesmo com todas as discussões, amuos, conflitos, existe sempre mais espaço para a diversão, para a segurança, para a proteção, para o amor. É a reunião do clã. A partilha das recordações anos mais tarde. E é por isso que quero construir a minha própria família, dar-te muitos irmãos para brincares e refilares. Posso não ter uma casa de família com piscina ou perto do mar para te oferecer, mas vamos sobrevoar o mundo e aterrar em sítios diferentes sempre que pudermos. Que o mundo seja a tua grande família.
dois meses de ti ♥
♥ já ouvi uma gargalhada tua enquanto sonhavas
♥sorris imenso e intencionalmente
♥começas a querer falar
♥ gostas de silêncio para dormir
♥ continuas a não gostar do escuro
♥ fizeste o teu primeiro cocó até ao pescoço
♥ toda a gente diz que vais ficar com os olhos azuis
♥sorris imenso e intencionalmente
♥começas a querer falar
♥ gostas de silêncio para dormir
♥ continuas a não gostar do escuro
♥ fizeste o teu primeiro cocó até ao pescoço
♥ toda a gente diz que vais ficar com os olhos azuis
um mês de ti ♥
Um mês de ti.
Já sorriste deliberadamente para o teu pai.
Não gostas do escuro nem do silêncio.
Detestas ter as pernas e os pés nus.
Adoras fazer de nós almofada.
Começas a prestar imensa atenção quando falamos contigo.
Tens imensa força no pescoço e já levantas a cabeça.
Fazes barulhinhos como se fosses uma ovelha, mesmo a meio da noite.
Gostas de estar de barriga para baixo no banho.
aguardar pelos sonhos
Ainda não perdi a fé. De te ver a correr descalço no meio
das folhas verdes. De ficar feliz por teres a planta dos pés da cor da terra e
as mãos cheias de saliva da nossa patuda. De te deitar com a janela aberta e o
som da natureza como pano de fundo. De te ver crescer na companhia das árvores
que plantarmos juntos. De saber que és feliz debaixo do sol, da chuva e a
brincar na terra molhada. De ter um alpendre, árvores de fruto, uma pequena
estufa com as ervas aromáticas, de puder adormecer-te nas noites de verão sobre
o céu estrelado. Não esquecemos o nosso sonho, falamos muitas vezes nele,
pensamos ainda mais. Está em pausa nas nossas vidas, ainda não foi o momento
certo. Mas ansiamos por essa vida, por essa calma. Será com toda a serenidade e
com toda a clareza de espírito que aguardaremos pelo momento certo. Ele vai
chegar.
Assim, enquanto aguardamos, vamos fazendo planos em sítios muito bonitos, onde nos sentimos em casa. É aqui que nos sentimos bem, é aqui que o nosso coração se enche de sonhos.
o vício do amor
Vais ficar viciado no colo. Na
mama. Nas minhas mãos que te confortam até adormeceres. Nos meus beijinhos pelo
corpo todo logo pela manhã. No facto de assim que choras eu pegar em ti e
mostrar-te que estás em segurança. Em adormeceres na nossa cama de madrugada
quando tens noites mais agitadas. É isto que me dizem de ti, filho. Que tens um
mês de vida mas já tens manha, que sabes manipular-nos a fazermos o que queres.
Que vais ser uma criança dependente.
És o meu primeiro filho, não sei
se estou a fazer tudo bem ou tudo mal. Estou a fazer o melhor que sei. A seguir
o meu instinto. Aquilo a que já quase ninguém dá importância. Preferem
regular-se por horários, biberons, regras estipuladas e choros constantes. Eu
prefiro seguir o amor. Porque dar-te colo quando choras, alimentar-te quando
queres e mostrar-te que estás em segurança quando acordas no meio da escuridão
e do silêncio, é fazer-te crescer com amor. E o amor é a base de tudo. Pelo
menos de tudo o que está certo. É a base de uma infância feliz, das hormonas
que te dão leite, de uma família equilibrada e de adultos conscientes e
humanos. É o amor que vence sempre. Qualquer luta ou batalha, qualquer medo que
se atravesse à nossa frente.
Fala-se tanto de traumas de
infância, de adolescentes rebeldes, de psicoterapeutas para resolver problemas
psicossomáticos, de dizer sim ou dizer não. Mas continuamos a cruzar-nos com
pessoas que assim que olham para nós decidem aconselhar “não o habitue ao
colo”, “deixe-o acalmar-se sozinho”, “não lhe dê mama sempre que quiser, senão
não quer outra coisa”, e tantas outras barbaridades. Pais que se queixam de não
compreender os filhos, mas que os deixam horas a chorar no berço ignorando
completamente os pedidos dos mesmos. Que fazem cursos pré-parto, pesquisam
todos os sites possíveis, lêem todos os livros sobre bebés, mas ignoram tudo
porque a vizinha lhes disse que as teorias estão todas erradas.
Não sei se tens manha, se me
manipulas, se já vens ensinado, se nunca mais vais adormecer sozinho ou aos dez
anos ainda vais queres passar a madrugada na minha cama. Mas sei do que
precisas agora. Do que me pedes. Do medo que tens do escuro e do silêncio. Do
colo que te faz já sorrir para mim. Do amor que tenho para te dar e da
segurança que me exiges. É por isso que vamos ignorar o mundo à nossa volta e
crescer os dois no que é certo para nós, no que nos faz felizes,
com ou sem manha, mas com muito colo pelo meio.
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