Foram 365 dias. Dizem-me que estão orgulhosos de mim. Que podia simplesmente ter desistido de tomar banho todos os dias. Podia simplesmente ter desistido de me vestir como se fosse sair, podia ter desistido de fazer o almoço, de procurar novas formações, de enviar currículos todos os dias, de ir a todas as entrevistas, de atender todos os telefonemas. Podia ter desistido de escrever no blog, de tirar fotografias, de arrumar a casa, de acordar cedo. Em 365 dias, fiquei de pijama 2. Em 365 dias, deixei-me ir abaixo durante uma semana. Bati com a cabeça todas as vezes que foram precisas, nunca desisti de nenhuma oportunidade. Até que chegou o dia. Aquele em que acordei e aceitei o que há muito tempo dizia baixinho para mim mesma. Aceitar. Existe verbo mais bonito que este? Aceitei, ao fim de 365 dias, que a minha licenciatura não é o meu futuro. Que não me posso resumir a ela. Que não a quero na minha vida. Sou muito mais que um certificado, sou muito mais do que estudei durante 4 anos. E, como sempre acontece na vida, no dia em que aceitei este segredo, o universo conspirou a meu favor. Foi quase mágico, enebriante. Como que caído do céu. Os 365 dias chegaram ao fim. O meu segredo chegou ao fim.
Eu estou prestes a começar.




























