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Agitar a espera


Já fiz viagens para comemorar, de tão feliz que estava. Já fiz viagens para esquecer, sair da nossa zona de conforto liberta-nos os pensamentos. Assim deixam de estar condicionados pelo negativismo e conseguimos arejar um bocadinho a cabeça. Mas esta foi a única vez que fiz uma viagem para que algo acontecesse. Fui para a Irlanda com a necessidade de provocar um bocadinho o meu destino. Precisava de agitar o meu mundo. Estava tudo demasiado igual há demasiado tempo. Fui, na esperança de voltar e sentir o mundo a dar voltas sobre si mesmo. Ou sobre mim. Qualquer coisa que me mostrasse o propósito de tudo isto. De o universo me ter atirado para esta espera sem fim. Esperar é, talvez, a maior aprendizagem de todas. Manter a vida e os dias no seu melhor enquanto se espera pela oportunidade que nos vai trazer o que sempre sonhamos, pode ser o maior desafio de todos. Para mim é. Sempre fui despachada, decidida a andar para a frente, quando não dá, não se insiste, existe tanto por onde lutar. Mas agora contam comigo para lutar por esta espera que nunca mais chega ao fim. Contam comigo para saber esperar. E saber esperar não é e nunca foi o meu forte. Esta viagem foi uma necessidade de apressar a meta. Galgar a distância que me separa do meu futuro.
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5 comentários

  1. Lindo texto. É isso mesmo, por vezes, temos apressar a meta, galgar distâncias que parecem nunca mais terminar. Viajar é um dos melhores remédios, para tudo.

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  2. Saber esperar (sem enlouquecer) é capaz de ser mesmo o maior dos desafios. Eu também não sirvo para isso, porque não dá para ficar à espera que o universo conspire a nosso favor. Temos sempre que provocar um bocadinho :)

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  3. Pois, ... paciência também nunca foi o meu forte. Só depois da maternidade aprendi (mas pouco) a cultivar essa virtude.

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  4. No meio é que está a virtude, saber esperar é um dom, mas às vezes pode-se ficar uma vida inteira à espera.

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